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O tempo manteve-se quase o mesmo durante toda a manhã seguinte; e a mesma solidão, e a mesma melancolia, pareciam reinar em Hartfield — mas à tarde o céu abriu; o vento mudou para uma direção mais suave; as nuvens afastaram-se; o sol apareceu; era verão outra vez. Com todo o entusiasmo que tal transição proporciona, Emma resolveu estar ao ar livre o mais cedo possível. Nunca a visão exquisita, o cheiro, a sensação da natureza, tranquila, quente e brilhante após a tempestade, lhe fora mais atraente. Anciava pela serenidade que eles poderiam gradualmente introduzir; e quando o Sr. Perry entrou logo após o jantar, com uma hora livre para dedicar ao pai dela, não perdeu tempo em apressar-se para o bosque. — Ali, com o espírito renovado e os pensamentos um pouco aliviados, dera alguns passeios, quando viu o Sr. Knightley passar pela porta do jardim, vindo em sua direção. — Foi o primeiro indício de que ele regressara de Londres. Ela estivera pensando nele no momento anterior, como estando indubitavelmente a dezesseis milhas de distância. — Houve tempo apenas para o mais rápido preparo da mente. Ela devia estar composta e calma. Em meia minuto estavam juntos. Os cumprimentos foram quietos e constrangidos de ambos os lados. Ela perguntou pelos amigos em comum; estavam todos bem. — Quando os deixara? — Naquela mesma manhã. Devia ter tido um passeio a cavalo sob a chuva. — Sim. — Ele pretendia caminhar com ela, percebeu ela. “Ele apenas passara pela sala de jantar, e como não era necessário ali, preferira estar ao ar livre.” — Ela achou que ele não parecia nem falava alegre; e a primeira causa possível para isso, sugerida por seus temores, foi que talvez ele estivesse comunicando seus planos ao irmão, e estivesse magoado pela maneira como foram recebidos.
Caminharam juntos. Ele silenciou. Ela achou que ele a olhava frequentemente, e procurava ver-lhe o rosto mais plenamente do que ela se dispunha a permitir. E essa convicção produziu outro receio. Talvez ele quisesse falar-lhe de seu apego a Harriet; poderia estar aguardando encorajamento para começar. — Ela não se sentia, nem podia sentir-se, capaz de abrir caminho para tal assunto. Ele devia fazer tudo sozinho. Contudo, não suportava aquele silêncio. Com ele, era algo profundamente antinatural. Ela refletiu — decidiu — e, tentando sorrir, começou —
“Tem notícias para ouvir, agora que voltou, que hão de surpreendê-lo bastante.”
“Tenho?” disse ele, quieto, olhando-a; “de que natureza?”
“Oh! a melhor natureza do mundo — um casamento.”
Após esperar um momento, como se para ter certeza de que ela não pretendia dizer mais, ele respondeu,
“Se quer dizer a Srta. Fairfax e Frank Churchill, já ouvi falar nisso.”
“Como é possível?” exclamou Emma, voltando as faces coradas para ele; pois, enquanto falava, ocorreu-lhe que ele poderia ter parado na casa da Sra. Goddard a caminho.
“Recebi algumas linhas do Sr. Weston esta manhã, a respeito de assuntos paroquiais, e ao final ele me deu um breve relato do que acontecera.”
Emma ficou bastante aliviada, e pôde logo dizer, com um pouco mais de compostura,
“_Você_ provavelmente foi menos surpreendido que qualquer de nós, pois teve suas suspeitas. — Não esqueci que certa vez tentou me prevenir. — Quisera eu ter dado atenção — mas — (com voz decaída e um profundo suspiro) parece que estava destinada à cegueira.”
Por um ou dois momentos nada se disse, e ela não suspeitava ter despertado interesse particular, até sentir o braço atraído para o dele, e pressionado contra o peito, e ouvi-lo dizer assim, num tom de grande sensibilidade, falando baixo,
“O tempo, minha querida Emma, o tempo curará a ferida. — Seu próprio e excelente juízo — seus esforços por causa de seu pai — sei que não se permitirá —.” O braço dela foi pressionado outra vez, enquanto ele acrescentava, num acento mais quebrado e submisso, “Os sentimentos da mais quente amizade — Indignação — Abominável patife!” — E num tom mais alto e firme, concluiu com: “Ele logo se irá. Eles logo estarão em Yorkshire. Sinto por _ela_. Ela merece destino melhor.”
Emma compreendeu-o; e assim que pôde recuperar-se do agitar de prazer, excitado por tão terna consideração, respondeu,
“É muito gentil — mas está enganado — e devo pô-lo certo. — Não careço desse tipo de compaixão. Minha cegueira quanto ao que ocorria levou-me a proceder com eles de modo de que sempre hei de envergonhar-me, e fui tola demais para ser tentada a dizer e fazer muitas coisas que bem podem expor-me a conjecturas desagradáveis, mas não tenho outra razão para lamentar não ter sabido do segredo antes.”
“Emma!” exclamou ele, olhando-a ansiosamente, “está, de fato?” — mas contendo-se — “Não, não, compreendo-a — perdoe-me — folgo que possa dizer até tanto. — Ele não é objeto de lamentação, de fato! e não será muito longo, espero, antes que isso se torne o reconhecimento de mais que sua razão. — Afortunada por seus afetos não estarem mais emaranhados! — Nunca pude, confesso, pelos seus modos, assegurar-me quanto ao grau do que sentia — só podia ter certeza de que havia uma preferência — e uma preferência que nunca acreditei ele merecer. — Ele é uma desgraça para o nome de homem. — E há de ser recompensado com aquela doce jovem? — Jane, Jane, serás uma criatura miserável.”
“Sr. Knightley,” disse Emma, tentando estar animada, mas realmente confusa — “encontro-me numa situação muito extraordinária. Não posso deixá-lo continuar em seu erro; e todavia, talvez, visto que meus modos deram tal impressão, tenha tanto motivo para envergonhar-me de confessar que nunca estive de modo algum apegada à pessoa de que falamos, quanto seria natural para uma mulher sentir ao confessar exatamente o reverso. — Mas nunca estive.”
Ele ouviu em perfeito silêncio. Ela desejava que ele falasse, mas ele não quis. Supôs que devia dizer mais antes de ter direito à clemência dele; mas era caso duro ser obrigada ainda a rebaixar-se na opinião dele. Prosseguiu, contudo.
“Tenho pouco a dizer em favor de minha conduta. — Fui tentada por suas atenções, e permiti parecer agradada. — Uma velha história, provavelmente — um caso comum — e não mais do que aconteceu a centenas de meu sexo antes; e todavia pode não ser mais desculpável em quem se apresenta como eu, com Entendimento. Muitas circunstâncias auxiliaram a tentação. Ele era filho do Sr. Weston — estava continuamente aqui — sempre o achei muito agradável — e, em suma, pois (com um suspiro) deixe-me inflar as causas tão engenhosamente quanto queira, todas se centram nisto ao fim — minha vaidade foi lisonjeada, e permiti suas atenções. Ultimamente, porém — algum tempo, de fato — não tive ideia de que significassem coisa alguma. — Pensei que eram hábito, um truque, nada que pedisse seriedade de minha parte. Ele me iludiu, mas não me feriu. Nunca estive apegada a ele. E agora posso toleravelmente compreender seu proceder. Ele nunca quis apegar-me. Foi meramente um véu para ocultar sua real situação com outra. — Seu objetivo era cegar a todos ao redor; e ninguém, tenho certeza, poderia ser mais efetivamente cegado que eu mesma — exceto que não fui cegada — que foi minha boa fortuna — que, em suma, por um meio ou outro estive a salvo dele.”
Ela esperara uma resposta aqui — por algumas palavras dizendo que sua conduta era ao menos inteligível; mas ele silenciou; e, tanto quanto podia julgar, mergulhado em pensamentos. Por fim, e toleravelmente em seu tom usual, disse,
“Nunca tive alta opinião de Frank Churchill. — Posso supor, contudo, que o tenha subestimado. Meu conhecimento dele tem sido trivial. — E mesmo que não o tenha subestimado até aqui, ele pode ainda revelar-se bem. — Com tal mulher tem uma chance. — Não tenho motivo para lhe desejar mal — e por causa dela, cuja felicidade envolverá o bom caráter e proceder dele, certamente lhe desejo bem.”
“Não duvido que sejam felizes juntos,” disse Emma; “creio que se acham muito mutuamente e sinceramente apegados.”
“Ele é um homem muitíssimo afortunado!” retornou o Sr. Knightley, com energia. “Tão cedo na vida — aos vinte e três — período em que, se um homem escolhe esposa, geralmente escolhe mal. Aos vinte e três haver ganho tal prêmio! Que anos de felicidade esse homem, por todo cálculo humano, tem diante de si! — Seguro do amor de tal mulher — o amor desinteressado, pois o caráter de Jane Fairfax atesta seu desinteresse; tudo a seu favor — igualdade de situação — quero dizer, quanto à sociedade, e todos os hábitos e modos que importam; igualdade em cada ponto salvo um — e esse um, visto que a pureza de seu coração não se duvida, tal que há de aumentar a felicidade dele, pois será dele conceder as únicas vantagens que ela quer. — Um homem sempre desejaria dar à mulher lar melhor que aquele de que a tira; e aquele que o pode fazer, onde não há dúvida do _dela_ afeto, há de ser, penso, o mais feliz dos mortais. — Frank Churchill é, de fato, o favorito da fortuna. Tudo volta-se para seu bem. — Encontra uma jovem numa estância balneária, ganha seu afeto, nem mesmo a cansa com tratamento negligente — e tivesse ele e toda sua família buscado pelo mundo uma esposa perfeita para ele, não a encontrariam superior. — Sua tia está no caminho. — Sua tia morre. — Ele só precisa falar. — Seus amigos se apressam em promover sua felicidade. — Ele os tratara mal a todos — e todos se deleitam em perdoá-lo. — Ele é, de fato, um homem afortunado!”
“Fala como se o invejasse.”
“E o invejo, Emma. Num aspecto ele é objeto de minha inveja.”
Emma não pôde dizer mais. Pareciam estar a meia frase de Harriet, e seu sentimento imediato foi desviar o assunto, se possível. Fez seu plano; falaria de algo totalmente diferente — as crianças em Brunswick Square; e só aguardava fôlego para começar, quando o Sr. Knightley a sobressaltou, dizendo,
“Não me perguntará qual é o ponto de inveja. — Está decidida, vejo, a não ter curiosidade. — É sábia — mas _eu_ não posso ser sábio. Emma, devo dizer-lhe o que não perguntará, ainda que possa desejar não tê-lo dito no momento seguinte.”
“Oh! então, não o diga, não o diga,” ela exclamou ansiosa. “Tome um pouco de tempo, reflita, não se comprometa.”
“Obrigado,” disse ele, num acento de profunda mortificação, e não seguiu sílaba alguma.
Emma não podia suportar dar-lhe dor. Ele desejava confiar-lhe — talvez consultá-la; — custasse o que custasse, ouvir-lhe-ia. Poderia auxiliar sua resolução, ou reconciliá-lo com ela; poderia dar justo louvor a Harriet, ou, representando-lhe sua própria independência, livrá-lo daquele estado de indecisão, que havia de ser mais intolerável que alternativa alguma para mente como a sua. — Tinham chegado à casa.
“Vai entrar, suponho?” disse ele.
“Não,” — replicou Emma — bastante confirmada pelo modo abatido com que ele ainda falava — “gostaria de dar outra volta. O Sr. Perry não se foi.” E, após avançar alguns passos, acrescentou — “Impedi-o sem graça há pouco, Sr. Knightley, e, receio, dei-lhe dor. — Mas se tem desejo de falar-me abertamente como amigo, ou de pedir minha opinião sobre qualquer coisa que tenha em contemplação — como amigo, de fato, pode dispor de mim. — Ouvirei o que quiser. Direi exatamente o que penso.”
“Como amigo!” — repetiu o Sr. Knightley. — “Emma, essa é, temo, uma palavra — Não, não tenho desejo — Espere, sim, por que hesitar? — Já fui longe demais para ocultação. — Emma, aceito sua oferta — Por extraordinário que pareça, aceito-a, e remeto-me a você como amigo. — Diga-me, então, não tenho chance alguma de um dia conseguir?”
Ele parou em seu empenho para olhar a pergunta, e a expressão dos olhos dele a sobrepujou.
“Minha queridíssima Emma,” disse ele, “pois queridíssima há de ser sempre, qualquer que o desfecho desta hora de conversa, minha querida, mais amada Emma — diga-me de uma vez. Diga ‘Não’, se há de ser dito.” — Ela realmente não pôde dizer coisa alguma. — “Está silenciosa,” ele exclamou, com grande animação; “absolutamente silenciosa! por ora não peço mais.”
Emma estava quase a desfalecer sob a agitação deste momento. O temor de despertar do mais feliz sonho era talvez o sentimento mais proeminente.
“Não sei fazer discursos, Emma:” ele logo retomou; e num tom de tão sincera, decidida e inteligível ternura que era toleravelmente convincente. — “Se a amasse menos, poderia falar disso mais. Mas sabe o que sou. — Não ouve de mim senão a verdade. — Repreendi-a, e lecturei-a, e suportou-o como nenhuma outra mulher na Inglaterra suportaria. — Suporte as verdades que lhe digo agora, queridíssima Emma, tão bem quanto suportou aquelas. O modo, talvez, possa ter tão pouco a recomendá-las. Deus sabe, tenho sido um amante muito indiferente. — Mas compreende-me. — Sim, vê, compreende meus sentimentos — e os retribuirá se puder. Por ora, peço apenas ouvir, uma vez ouvir sua voz.”
Enquanto ele falava, a mente de Emma estava ocupadíssima, e, com toda a maravilhosa velocidade do pensamento, pudera — e sem perder palavra — captar e compreender a exata verdade do todo; ver que as esperanças de Harriet foram inteiramente infundadas, um engano, uma ilusão, tão completa ilusão quanto qualquer das suas próprias — que Harriet não era nada; que ela mesma era tudo; que o que dissera relativo a Harriet fora tomado como a linguagem de seus próprios sentimentos; e que sua agitação, suas dúvidas, sua relutância, seu desencorajamento, foram recebidos todos como desencorajamento vindo dela mesma. — E não houve apenas tempo para essas convicções, com todo seu brilho de felicidade adjacente; houve tempo também para alegrar-se de que o segredo de Harriet não escapara, e para resolver que não precisava, e não deveria, escapar. — Era todo o serviço que podia agora prestar à pobre amiga; pois quanto a qualquer daquele heroísmo de sentimento que pudesse levá-la a rogar-lhe transferir seu afeto de si para Harriet, como infinitamente a mais digna das duas — ou mesmo a sublimidade mais simples de resolver recusá-lo de uma vez e para sempre, sem conceder motivo, porque ele não podia desposá-las ambas, Emma não o tinha. Ela sentia por Harriet, com dor e com contrição; mas nenhum voo de generosidade enlouquecida, opondo-se a tudo que pudesse ser provável ou razoável, entrou-lhe na cabeça. Ela desencaminhara a amiga, e seria um reproche para ela para sempre; mas seu juízo era tão forte quanto seus sentimentos, e tão forte quanto sempre fora, em reprovar tal aliança para ele, como muitíssimo desigual e degradante. Seu caminho estava claro, ainda que não totalmente suave. — Ela falou, então, sendo assim suplicada. — O que disse? — Exatamente o que devia, claro. Uma dama sempre o faz. — Disse o bastante para mostrar que não havia de haver desespero — e para convidá-lo a dizer mais ele mesmo. Ele _desesperara_ num período; recebera tal injunção de cautela e silêncio que por um tempo esmagara toda esperança; — ela começara recusando ouvi-lo. — A mudança fora talvez um tanto súbita; — sua proposta de dar outra volta, seu renovar a conversa que acabara de encerrar, poderia ser um tanto extraordinário! — Ela sentiu a incoerência; mas o Sr. Knightley foi tão obsequioso que a tolerou, e não buscou explicação maior.
Raramente, muito raramente, pertence a revelação humana alguma a completa verdade; raramente pode acontecer que algo não seja um pouco disfarçado, ou um pouco mal-entendido; mas onde, como neste caso, embora o proceder seja errôneo, os sentimentos não o sejam, pode não ser muito material. — O Sr. Knightley não podia imputar a Emma coração mais compassivo que o que possuía, ou coração mais disposto a aceitá-lo.
Ele, de fato, estivera totalmente sem suspeitar de sua própria influência. Seguira-a ao bosque sem ideia de experimentá-la. Viera, em sua ansiedade de ver como ela levava o noivado de Frank Churchill, sem vista egoísta, sem vista alguma, senão de procurar, se ela lhe desse abertura, acalmar ou aconselhá-la. — O resto fora obra do momento, efeito imediato do que ouviu, em seus sentimentos. A deliciosa certeza da total indiferença dela para com Frank Churchill, de ter um coração completamente livre dele, dera à luz a esperança de que, com o tempo, pudesse ganhar seu afeto ele mesmo; — mas não fora esperança presente — ele apenas, na conquista momentânea do anseio sobre o juízo, aspirara a ouvir que ela não proibia sua tentativa de apegá-la. — As esperanças superiores que gradualmente se abriram eram tanto mais encantadoras. — O afeto que ele pedira ser licenciado a criar, se pudesse, já era seu! — Dentro de meia hora, passara de um estado de espírito profundamente aflito, a algo tão próximo da perfeita felicidade, que não comportava outro nome.
A mudança _dela_ foi igual. — Essa meia hora dera a cada um a mesma preciosa certeza de ser amado, limpara de cada um o mesmo grau de ignorância, ciúme ou desconfiança. — Da parte dele, houvera um ciúme de longa data, tão velho quanto a chegada, ou mesmo a expectativa, de Frank Churchill. — Estivera apaixonado por Emma, e ciumento de Frank Churchill, desde cerca do mesmo período, um sentimento provavelmente havendo-o esclarecido quanto ao outro. Fora seu ciúme de Frank Churchill que o tirara do campo. — O grupo de Box Hill decidira-o a partir. Ele poupar-se-ia de testemunhar outra vez tais atenções permitidas e encorajadas. — Fora aprender a ser indiferente. — Mas fora a lugar errado. Havia demasiada felicidade doméstica na casa do irmão; a mulher revestia forma amável demais nela; Isabella era demais parecida com Emma — diferindo apenas naquelas marcantes inferioridades, que sempre traziam a outra em brilho ante ele, para que muito se fizesse, ainda que seu tempo fora mais longo. — Contudo, ficara, vigorosamente, dia após dia — até o correio desta mesma manhã trazer a história de Jane Fairfax. — Então, com a alegria que se há de sentir, nay, que não escrupulizou sentir, nunca havendo crido Frank Churchill digno de Emma, houve tamanha terna solicitude, tão agudo anseio por ela, que não pôde ficar mais. Viera a cavalo sob a chuva; e subira a pé direto após o jantar, para ver como aquela criatura mais doce e boa de todas, sem falta apesar de todas suas faltas, levava a descoberta.
Achara-a agitada e abatida. — Frank Churchill era um vilão. — Ouviu-a declarar que nunca o amara. O caráter de Frank Churchill não era desesperado. — Ela era sua própria Emma, de mão e palavra, quando retornaram à casa; e se ele pudesse ter pensado em Frank Churchill então, poderia tê-lo julgado um sujeito muito bom.