Português
Este é um estado de espírito, contudo, que agora me visita, graças a Deus, com menor frequência. Retirei-me da confusão das cidades e das multidões, e passo meus dias rodeado por livros sábios, — claras janelas nesta nossa vida, iluminadas pelas almas luminosas dos homens. Vejo poucos estranhos, e tenho apenas uma pequena casa. Meus dias dedico à leitura e a experimentos de química, e passo muitas das noites claras no estudo da astronomia. Há — embora eu não saiba como há ou por que há — uma sensação de paz infinita e proteção nas brilhantes hostes do céu. Deve ser ali, penso eu, nas vastas e eternas leis da matéria, e não nos cuidados, pecados e aflições cotidianos dos homens, que tudo o que há em nós de mais que animal deve encontrar seu consolo e sua esperança. Eu _espero_, ou não poderia viver.
E assim, em esperança e solidão, termina a minha história.
EDWARD PRENDICK.
NOTA.
A substância do capítulo intitulado “O Doutor Moreau explica”, que contém a ideia essencial da narrativa, apareceu como artigo de fundo no _Saturday Review_ em janeiro de 1895. Esta é a única parte desta história que foi publicada anteriormente, e foi inteiramente refeita para adaptá-la à forma narrativa.