CHAPTER IX—THE OLD SOUL OF GAUL
Havia um pouco desse rapaz em Poquelin, filho do mercado de peixe; Beaumarchais tinha algo disso. A gaminice é um matiz do espírito gaulês. Misturada ao bom senso, às vezes acrescenta força a este, como o álcool ao vinho. Outras vezes é um defeito. Homero repete-se eternamente, concedido; pode-se dizer que Voltaire faz de gamin. Camille Desmoulins era natural dos subúrbios. Championnet, que tratava os milagres brutalmente, surgiu das calçadas de Paris; quando pequeno, inundara os pórticos de Saint-Jean de Beauvais e de Saint-Étienne du Mont; dirigira-se familiarmente ao relicário de Sainte-Geneviève para dar ordens à ampola de Saint Januarius.
O gamin de Paris é respeitoso, irônico e insolente. Tem dentes vilões, porque é mal alimentado e seu estômago sofre, e olhos bonitos porque tem inteligência. Se o próprio Jeová estivesse presente, ele subiria os degraus do paraíso pulando num pé só. É forte no boxe. Todas as crenças lhe são possíveis. Brinca na sarjeta e se endireita com uma revolta; sua ousadia persiste até diante da metralha; foi um malandro, é um herói; como o pequeno tebano, sacode a pele do leão; Barra, o menino-tambor, era um gamin de Paris; grita: "Avante!" como o cavalo da Escritura diz "Vah!" e num instante passa de pequeno pirralho a gigante.
Essa criança do charco é também a criança do ideal. Meça essa envergadura de asas que vai de Molière a Barra.
Para resumir tudo, e numa só palavra, o gamin é um ser que se diverte, porque é infeliz.
“Stories of the world, in your language.”